Em um novo relatório, a Instituição Fiscal Independente (IFI) revelou que a exposição total da União a riscos fiscais específicos alcançou R$ 4.828,6 bilhões em 2025, o que representa 37,9% do Produto Interno Bruto (PIB). A análise, que faz parte do Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 112, abrange passivos contingentes, riscos macroeconômicos e ameaças ao equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.
O estudo indica que, apesar do montante elevado, houve uma diminuição nos riscos desde o pico registrado em 2022, quando a taxa atingiu 57,2% do PIB. Essa redução é atribuída, em grande parte, à diminuição dos passivos relacionados a demandas judiciais, que continuam a liderar a exposição. No ano passado, esses passivos totalizaram R$ 2.273,2 bilhões, correspondendo a 17,8% do PIB, e podem se transformar em precatórios ou em diminuições na arrecadação tributária.
No que se refere aos riscos financeiros, que incluem créditos a estados e municípios, garantias fornecidas pela União e passivos em fase de reconhecimento, o montante totalizou R$ 1.679,3 bilhões, ou 13,2% do PIB. Essa categoria tem apresentado uma trajetória de queda desde 2018, quando representava 20,8% do PIB. O principal componente dessa classe é o total de créditos da União com os entes federativos, que somam R$ 888,8 bilhões, o que equivale a 7,0% do PIB, e apresenta risco de inadimplência devido à instabilidade nas finanças subnacionais.
O relatório também destaca a situação financeira dos Correios, que pode exigir um aporte de recursos da União até 2027 se não houver uma reversão na trajetória negativa observada recentemente. Além disso, a análise da IFI menciona a possibilidade de necessidade de compensação entre as metas fiscais do governo central e as das empresas estatais, um risco que ganhou relevância, considerando que o Executivo tem buscado manter o piso da meta de resultado primário nos últimos anos.
No âmbito macroeconômico, a IFI alerta que desvios nas projeções relacionadas ao PIB, à inflação e à massa salarial poderão impactar as receitas e despesas primárias a partir de 2026. As projeções para os anos de 2026 e 2027 foram mantidas inalteradas, prevendo um déficit primário do governo central de 0,7% e 1,3% do PIB, respectivamente, com a dívida bruta em trajetória de alta, devendo atingir 86,2% do PIB até 2027.