Paraguai impõe sigilo ao relatório sobre espionagem brasileira

Governo paraguaio recebeu relatório sobre espionagem brasileira e o classificou como sigiloso
Foto: H2FOZ
Foto: H2FOZ

O governo do Paraguai deu por oficialmente encerrada a crise da espionagem com o Brasil, desencadeada em março de 2025. O jornal publicou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) espionou autoridades paraguaias ligadas às negociações sobre a usina de Itaipu. O monitoramento começou na gestão de Jair Bolsonaro e terminou quando o novo diretor da Abin, nomeado por Lula, tomou posse.

O Paraguai determinou a interrupção das conversações com o Brasil quanto à usina, exigindo explicações oficiais. Em novembro, autoridades brasileiras entregaram ao país vizinho um relatório sobre o caso. Santiago Peña, presidente do Paraguai, confirmou ter recebido o documento, arquivado e classificado como sigiloso, por representar material sensível.

O Brasil reconheceu publicamente a espionagem, afirmou Peña, durante participação em um podcast com jornalistas de vários veículos de comunicação do Paraguai. O presidente negou a intenção de esconder do público as conclusões do relatório. Disse que todos os países do mundo fazem assim e que o Brasil entregou a explicação oficial.

Brasil e Paraguai estão em processo de revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que estabelece as bases financeiras para o funcionamento da usina. O Anexo C influi, entre outros pontos, na definição das tarifas de energia cobradas pela hidrelétrica.