O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfatizou, em entrevista Ao Washington Post, que sua conexão pessoal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ser crucial para evitar a imposição de tarifas e sanções ao Brasil. Ele acredita que esta relação também pode contribuir para a promoção do respeito à democracia no país e a atração de investimentos. Este foi o primeiro momento em que Lula se manifestou publicamente sobre o encontro que teve com Trump, ocorrido em 7 de maio, na Casa Branca.
Durante a conversa, Lula afirmou que a falta de respeito entre as nações levou à deterioração das relações em 2025, resultando na adoção de tarifas e sanções contra o Brasil. Ele ressaltou que o governo brasileiro está aberto ao diálogo, mas somente se for tratado com igualdade. "Quem abaixa a cabeça talvez não consiga erguê-la novamente", alertou o presidente, que também declarou que o Brasil tem orgulho de sua identidade e não se submeterá a pressões externas.
Ao abordar a relação entre Trump e o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula negou qualquer tentativa de criar um atrito entre eles. Ele afirmou que não faria esforços para que Trump deixasse de apoiar Bolsonaro, ressaltando que o próprio Trump já reconhece suas capacidades. "Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso", declarou.
Lula também comentou sobre a possível classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, afirmando que essa medida não será adotada. Para o presidente, apenas essa ação não resolveria o problema do tráfico de drogas.
Além disso, Lula mencionou que Trump está ciente de sua posição contrária à guerra com o Irã e à intervenção na Venezuela. Ele destacou que suas diferenças políticas não afetam sua relação com Trump como líder de um Estado. "O que quero é que trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui", afirmou.
Sobre a situação em Cuba, Lula reiterou que Trump afirmou que não haverá invasão à ilha. Apesar das tentativas do Brasil em mediar a paz na Venezuela e na Ucrânia, e do fracasso nas negociações entre Estados Unidos e Cuba, o presidente brasileiro expressou seu desejo de posicionar o Brasil como um intermediário em conflitos globais. Ele se mostrou preocupado com a deterioração da cooperação multilateral na política internacional.