Polarização política inspira longa-metragem sobre escuta e incomunicabilidade

O novo filme de Caco Ciocler, Eu Não Te Ouço, é uma reflexão sobre a capacidade de escuta na sociedade brasileira
Foto: 1 de 1 Imagem colorida de Márcio Vito no filme Eu Não Te Ouço - Metrópoles
Foto: 1 de 1 Imagem colorida de Márcio Vito no filme Eu Não Te Ouço - Metrópoles

O homem que se pendurou na frente de um caminhão durante um protesto de apoiadores de Jair Bolsonaro, em 2022, virou meme, viralizou nas redes sociais e agora inspira um filme sobre polarização política no Brasil. A cena, que mostrou o manifestante sendo arrastado por quilômetros ao tentar impedir a passagem do veículo, deu origem a Eu Não Te Ouço, novo longa dirigido por Caco Ciocler e estrelado por Márcio Vito. A produção estreou na quinta-feira (14/5).

Uma das cenas mais marcantes das eleições presidenciais de 2022, o episódio tomou conta das redes sociais, mas, para Ciocler, carregava algo além do humor que dominou os memes.

No filme, o vidro do caminhão funciona como uma barreira física e simbólica entre os personagens, refletindo a incapacidade de escuta entre dois lados que enxergam o mundo de formas opostas.

Cena do filme Filme Eu Não Te Ouço, de Caco Ciocler
Márcio Vito interpreta os protagonistas do Filme Eu Não Te Ouço
Cena do filme Filme Eu Não Te Ouço, de Caco Ciocler
Márcio Vito interpreta tanto o motorista do caminhão quanto o homem pendurado no veículo. Durante toda a narrativa, os personagens discutem separados pelo vidro, sem conseguir realmente se ouvir — dinâmica que reforça a sensação de ruptura e incomunicabilidade.

Para o diretor, o longa retrata uma realidade em que diferentes grupos políticos enxergam uns aos outros como ameaças ao país. Segundo Ciocler, o debate atual também se perdeu em discursos rasos e argumentos reproduzidos sem profundidade.

Para viver os dois personagens, Márcio Vito passou por um processo de preparação de cerca de dois anos, envolvendo escrita, ensaios e improvisações construídas ao lado de Ciocler. O desempenho do ator rendeu o Troféu Redentor de Melhor Ator na Mostra Novos Rumos, do Festival do Rio.