A Polícia Federal (PF) apresentou informações ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre pagamentos mensais de R$ 500 mil realizados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os dados fazem parte da 5ª fase da Operação Compliance Zero, que foi deflagrada na quinta-feira, 7 de setembro de 2023.
Os pagamentos iniciaram com valores de R$ 300 mil e, posteriormente, foram ajustados para R$ 500 mil. As transferências financeiras eram realizadas através de uma rede de empresas associadas à família de Vorcaro, além de firmas geridas por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro. A PF indica que os repasses tinham como finalidade garantir a atuação do senador em pautas do Poder Legislativo que beneficiariam os interesses do Banco Master.
Conforme o relatório, Ciro Nogueira apresentou a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, que visava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A proposta, segundo a PF, foi redigida pela assessoria do Banco Master e entregue na residência do senador.
Além dos pagamentos, a representação policial menciona a compra de uma participação societária por uma das empresas do irmão de Ciro Nogueira. Essa parte da empresa foi adquirida por R$ 1 milhão, embora a PF aponte que seu valor real na época era de aproximadamente R$ 13 milhões. O inquérito também documenta pagamentos de despesas pessoais do senador, custeio de viagens internacionais e a disponibilização de um imóvel de Vorcaro para Ciro Nogueira.
A investigação culminou na realização de 10 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Piauí e no Distrito Federal, autorizados pelo ministro do STF André Mendonça. Durante a operação, Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro e apontado como operador financeiro do grupo, foi preso temporariamente. Raimundo Neto e o operador Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho também estão entre os alvos.
Medidas cautelares foram determinadas pela Justiça, incluindo a proibição de contato entre os investigados e a suspensão das atividades de quatro empresas, como a Green Investimentos e a Green Energia Fundo de Investimento em Participações. A operação investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra o Sistema Financeiro Nacional.