Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está atualmente focado em definir uma nova indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF), em decorrência da rejeição de Jorge Messias. Durante uma coletiva de imprensa realizada em São Paulo, Alckmin lamentou a decisão do Senado e ressaltou a importância do diálogo entre o Executivo e o Legislativo nesse processo.
A rejeição de Messias, ocorrida na última quarta-feira, resultou em 42 votos contrários e 34 favoráveis, sendo necessária a obtenção de pelo menos 41 votos dos 81 senadores para que a indicação fosse aprovada. Com essa arquivação, o STF ficará com um ministro a menos até que uma nova nomeação seja realizada, o que, Segundo Alckmin, poderá prejudicar os trabalhos da Corte, já sobrecarregada com 132 mil processos.
"Lamento a não eleição do Jorge Messias, que é uma pessoa preparada, com vasta experiência e uma vida dedicada ao serviço público. Entretanto, essa decisão compete ao Congresso Nacional", afirmou Alckmin. O vice-presidente também destacou que a falta de um ministro pode complicar ainda mais a situação do STF, que já enfrenta um número elevado de casos a serem analisados.
Messias teve sua nomeação formalizada em abril de 2025, mais de quatro meses após Lula ter anunciado sua escolha. A rejeição de sua candidatura marca um momento histórico, sendo a primeira vez em 132 anos que um nome para a Corte é vetado pelo Senado. A oposição enfrentada por Messias incluiu descontentamentos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que expressou insatisfação pela escolha de Lula, preferindo a indicação do senador Rodrigo Pacheco.
Após a votação, Jorge Messias manifestou descontentamento, afirmando que passou por um processo de desconstrução de sua imagem ao longo dos últimos cinco meses. Ele mencionou ter enfrentado mentiras e ataques à sua reputação, sem, no entanto, citar diretamente Alcolumbre como responsável por isso.
Nesta segunda-feira, após o episódio da rejeição, Messias retornou ao seu cargo na Advocacia-Geral da União (AGU), do qual havia se afastado entre os dias 8 e 30 de abril para se preparar para a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Agora, o foco se volta para a escolha de um novo candidato que possa ser bem recebido pelo Senado e aprovado para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.