O Senado Federal enviou um recado contundente ao governo: a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) não foi aceita, resultando na pior derrota do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula. Essa rejeição representa a primeira vez desde 1894 que uma indicação presidencial ao STF é negada pelos senadores.
A votação foi rápida, levando apenas sete minutos para que o nome de Messias fosse enterrado, após um intervalo de cinco meses desde seu anúncio. Esse período foi o mais extenso desde a redemocratização do país, evidenciando a gravidade da situação enfrentada pelo governo. O resultado foi claro: 42 senadores votaram contra a indicação, enquanto apenas 34 a apoiaram, em um plenário que contou com 79 dos 81 senadores.
As tentativas do governo para garantir a aprovação de Messias incluíram a exoneração temporária de ministros, que retornaram ao Senado para votar e fortalecer a base governista. Além disso, foram empenhados R$ 12 bilhões em emendas parlamentares nas semanas que antecederam a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No entanto, essas estratégias não foram suficientes para convencer os senadores a aceitarem a indicação.
A cena que se desenrolou após a votação foi emblemática: a oposição celebrou a derrota do governo, enquanto a base aliada ficou confusa, sem entender como um governo que prometeu unir o país não conseguiu os votos necessários para emplacar um candidato de sua confiança na posição mais desejada do Judiciário brasileiro.
Esse episódio não se limita apenas a uma falha na articulação política do Executivo, mas também levanta questões sobre a idoneidade do candidato. A história de Jorge Messias remete a uma ligação interceptada pela Polícia Federal em 16 de março de 2016, entre Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula, onde se discutia a necessidade de um documento que garantiria a posse no STF, evidenciando um passado que pode ter influenciado a percepção dos senadores.
A rejeição da indicação de Messias não é apenas um obstáculo para o governo, mas também uma mensagem de que a confiança entre aliados se deteriorou. Os senadores, em sua maioria, parecem ter adotado uma postura cautelosa, avaliando os riscos de associar-se a um governo que não consegue garantir votos. Com as eleições de outubro se aproximando, cada parlamentar irá pesar o custo de apoiar um presidente que enfrenta dificuldades.