Movimentações suspeitas envolvem advogada e grupo J&F em transações milionárias

Relatório do Coaf revela transferências de R$ 11,5 milhões de empresas dos irmãos Batista para escritório de Goiânia, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.
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Empresas ligadas aos irmãos Joesley e Wesley Batista movimentaram R$ 11,5 milhões para um escritório de advocacia em Goiânia, conforme um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Essa movimentação gerou questionamentos sobre a compatibilidade dos valores com o histórico financeiro da empresa, uma vez que o escritório, dirigido pela advogada Maísa de Maio Marciano, apresentava um faturamento mensal estimado em apenas R$ 9 mil.

O Coaf identificou um alerta emitido por uma agência do Sicoob em fevereiro de 2024, que se baseou nas movimentações financeiras da advogada. O documento apontou que não foram apresentados justificativas adequadas para as transações, classificando a situação como de “alto risco para lavagem de dinheiro”. No dia 15 de dezembro de 2023, a JBS transferiu R$ 8 milhões ao escritório, e três dias depois, a J&F Investimentos fez um repasse adicional de R$ 3,5 milhões.

No mesmo dia em que recebeu os valores da JBS, o escritório transferiu R$ 6,9 milhões ao BK Bank, que foi identificado como destinatário dos recursos. O BK Bank declarou que todas as transações são devidamente registradas e que se comprometem a manter altos padrões de transparência e rastreabilidade. Contudo, essa fintech já foi mencionada em investigações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo, relacionadas a práticas que dificultariam o rastreamento financeiro e a possíveis vínculos com organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital.

Paulo Humberto Barbosa, que recebeu R$ 3,5 milhões da advogada, destacou-se por adquirir em 2025 uma participação no empreendimento que pertenceu ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O escritório de Maísa foi fundado em 2018, com um capital social de R$ 2 mil, e até junho de 2022, seu faturamento mensal era de pouco mais de R$ 9 mil, com um patrimônio líquido em torno de R$ 83 mil.

Além disso, a atuação da advogada em processos judiciais parece ser limitada, com a maioria das ações tratando de disputas relacionadas a imóveis e honorários de baixo valor. Outras movimentações do grupo já foram objeto de investigações recentes, como a transferência de R$ 25,9 milhões da J&F para uma empresa associada a Barbosa, além de um pagamento de R$ 11,3 milhões da JBS a uma consultoria que também recebeu recursos de uma instituição financeira.

Um pagamento de R$ 25 milhões da J&F ao escritório do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, também foi notado, em um contexto que envolve um decreto que favoreceu uma empresa do mesmo grupo. Essas movimentações levantam questionamentos sobre a origem e o destino final dos valores, evidenciando a necessidade de uma investigação mais aprofundada sobre as práticas financeiras envolvidas.