Na última quinta-feira, 23, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, abordou a questão das sátiras e críticas dirigidas a figuras públicas, ressaltando que essas manifestações podem ultrapassar limites aceitáveis. Durante uma entrevista, Mendes trouxe à tona o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ao discutir o que considera ofensivo, mencionando a possibilidade de se criar bonecos satíricos do governador representando-o como homossexual.
"Se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?", questionou Gilmar. Ele também se referiu à criação de representações do governador como ladrão, destacando a necessidade de avaliar a correção de tais brincadeiras, especialmente quando se trata de homens públicos.
Essa declaração de Gilmar Mendes se deu no contexto do pedido para que Zema fosse incluído no Inquérito das Fake News. O ministro argumentou que as publicações satíricas feitas pelo governador poderiam prejudicar a honra de membros da Corte e das instituições que a compõem. A crítica de Mendes foi recebida com indignação por Zema, que se manifestou através de sua conta no X.
Em sua resposta, Zema expressou sua perplexidade com a comparação feita por Gilmar. "Inacreditável. Gilmar Mendes equipara a nossa sátira dos intocáveis com uma possível sátira do STF me representando como homossexual e ladrão", escreveu o governador, afirmando que a comparação foi inadequada e que não havia mais palavras para descrever o que estava acontecendo.
Zema também comentou sobre a liberdade de ser satirizado, afirmando que os cidadãos têm o direito de criar bonecos ou representações dele como quiserem. No entanto, ele enfatizou que não se pode fazer uma associação entre homossexualidade e práticas criminosas, como a ladroagem.
Em resposta à controvérsia, Gilmar Mendes admitiu ter cometido um erro ao fazer a associação entre homossexualidade e ofensas, pedindo desculpas pela sua declaração. Mendes reafirmou sua posição de enfrentar o que considera uma "indústria de difamação" contra o STF, destacando que não teme reconhecer erros quando necessário.