Lula menciona possibilidade de retaliação após expulsão de delegado pelos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a expulsão de um delegado da Polícia Federal dos Estados Unidos, sugerindo que o Brasil pode adotar medidas de reciprocidade diante do ocorrido.
lula-taxa-blusinhas-1

Durante uma agenda oficial na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou a expulsão do delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, pelos Estados Unidos. O motivo da expulsão está relacionado ao envolvimento do delegado na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Lula afirmou que o Brasil está preparado para adotar ações de reciprocidade se for confirmado um "abuso" das autoridades norte-americanas.

"Acho que, se houve um abuso dos americanos com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa. Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas autoridades americanas querem ter em relação ao Brasil", declarou Lula.

A justificativa apresentada pelo governo dos EUA para a expulsão do delegado envolve uma suposta tentativa de manipulação do sistema migratório norte-americano. Em um comunicado, as autoridades afirmaram que não tolerarão ações que visem contornar pedidos de extradição ou que ampliem perseguições políticas em seu território.

"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração tanto para contornar pedidos de extradições formais quanto para estender caça às bruxas política ao território dos Estados Unidos. Hoje, nós pedimos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", informa um trecho da nota.

Alexandre Ramagem, que está nos Estados Unidos desde o ano passado, é considerado foragido pela Justiça brasileira. Ele foi condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um processo que também resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, Ramagem foi eleito deputado federal em 2022, mas perdeu seu mandato em dezembro do ano passado após decisão do STF.