Um levantamento sobre os gastos do Senado revela que, nos últimos 12 anos, o Plano de Saúde vitalício custou R$ 314 milhões, considerando valores corrigidos. Este benefício é destinado a senadores, ex-senadores e seus dependentes, incluindo nomes de destaque como Fernando Henrique Cardoso, José Sarney, Eduardo Suplicy, Fernando Collor e Marta Suplicy.
Dentre os beneficiários, destaca-se o atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que teve acesso ao plano após apenas 21 dias de mandato no Senado em 2023, antes de se licenciar para assumir a pasta do Ministério da Justiça. Sua renúncia ao Senado ocorreu após oito meses, quando foi indicado pelo presidente Lula (PT) para o STF.
O Plano de Saúde vitalício abrange um extenso leque de serviços, que vai desde atendimento médico internacional até UTI aérea, e possui uma rede credenciada que inclui hospitais renomados como o Sírio-Libanês e o Albert Einstein. Atualmente, o benefício atende 80 senadores em exercício, 185 ex-parlamentares, 165 dependentes de senadores e 134 dependentes de ex-parlamentares, totalizando 564 usuários.
Os rendimentos de alguns filiados ao plano também chamam a atenção. Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, recebe um salário bruto de R$ 117 mil, dos quais R$ 6,4 mil são destinados ao Plano de Saúde. Jorge Viana, ex-presidente da ApexBrasil, acumulou rendimentos mensais de R$ 143 mil, provenientes de aposentadoria parlamentar, pensão de ex-governador e salário na agência. Por sua vez, José Sarney, ex-senador e ex-presidente da República, recebe R$ 39,8 mil de aposentadoria, R$ 40 mil de pensão como ex-governador e R$ 16 mil como analista judiciário aposentado.
Os Relatos do Senado confirmam que todos os usuários do plano, incluindo senadores, dependentes e ex-parlamentares, são obrigados a pagar mensalidades. Para senadores e seus cônjuges com idade em torno de 50 anos, o valor mensal é de aproximadamente R$ 600. Filhos entre 31 e 33 anos pagam cerca de R$ 1,2 mil, enquanto pais com cerca de 60 anos desembolsam em torno de R$ 1 mil.
A assessoria de Jorge Viana informou que sua saída da ApexBrasil ocorreu em razão do período eleitoral, mas destacou que, durante sua presidência, ele acumulou três remunerações distintas. Sobre Suplicy, a assessoria ressaltou que os documentos anexados demonstram 32 anos de contribuição ao IPC e ao PSSC, resultando em um provento equivalente a 97,71% do subsídio parlamentar, conforme a legislação que regula os direitos de aposentadoria dos parlamentares.