O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou críticas contundentes, neste domingo (19), à ineficácia do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em abordar conflitos internacionais. Durante seu discurso na feira industrial Hannover, na Alemanha, Lula ressaltou que a função do órgão, que conta com a participação de potências como Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China, deveria ser a manutenção da paz, especialmente em um momento em que o mundo enfrenta uma quantidade sem precedentes de guerras.
Lula questionou a relevância do Conselho de Segurança, indagando líderes globais como Donald Trump, Vladimir Putin, Xi Jinping, Emmanuel Macron e o primeiro-ministro do Reino Unido sobre a finalidade do órgão. "Para que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que vocês não se reúnem e não param com essas guerras?", provocou, enfatizando a necessidade de uma reflexão sobre a função do conselho na atualidade.
O presidente também abordou o tema dos gastos com conflitos, afirmando que o mundo investe anualmente US$ 2,7 trilhões em guerras, enquanto pouco se faz para combater a fome e melhorar as políticas migratórias. Ele questionou por que os recursos destinados a conflitos não são redirecionados para apoiar os milhões de imigrantes que buscam abrigo e sobrevivência em outros países.
Em sua fala, Lula reafirmou sua posição favorável à imigração, destacando que essa é parte intrínseca da história do Brasil. Além disso, ele voltou a defender a redução da jornada de trabalho, mencionando que, embora se discuta amplamente os impactos da inteligência artificial, pouco se fala sobre as consequências para os trabalhadores. "A inteligência artificial deve ser pensada considerando que o planeta é habitado por seres humanos", afirmou.
O presidente também apontou que alguns membros permanentes do Conselho de Segurança agem fora dos parâmetros estabelecidos pela Carta da Organização das Nações Unidas, criticando o uso de tecnologia em guerras. Ele alertou que a inteligência artificial, apesar de aumentar a produtividade, é utilizada para fins bélicos de forma que ignora princípios legais e morais, resultando em perdas humanas e prejuízos econômicos.
Lula ainda destacou que os conflitos têm impacto direto no aumento dos preços do petróleo, alimentos e fertilizantes, reiterando a importância de um “multilateralismo justo e equilibrado”, que fortaleça a Organização Mundial do Comércio (OMC). O presidente mencionou o recente acordo entre Mercosul e União Europeia como um passo positivo nesse sentido.