Um juiz de São Mateus do Sul, no Paraná, manifestou sua intenção de deixar a magistratura após criticar a remuneração da carreira. Em um desabafo antes de uma sessão do Tribunal do Júri, o magistrado disse que sua remuneração líquida é de R$ 120 mil, mas que considera os ganhos inferiores aos de médicos do Sistema Único de Saúde. Ele afirmou que a hora paga para médicos generalistas é superior à do magistrado.
Durante sua fala, o juiz expressou seu desejo de migrar para a advocacia, afirmando: “Eu não vou ficar, vou embora, vou advogar”. Ele planeja montar uma banca e atuar em casos relacionados à Lava Jato. O magistrado também destacou a importância da valorização da carreira e do reconhecimento social, mencionando seu trabalho em casos sensíveis, como medidas protetivas.
Além disso, o juiz criticou as condições de trabalho e comparou seus vencimentos aos de outras profissões, afirmando que sua remuneração é inferior à de um vendedor de sorvete. Ele indicou que pode deixar a função caso o cenário não melhore, enfatizando que trabalha longas horas diariamente.
As declarações do magistrado ocorreram após uma decisão do Supremo Tribunal Federal que suspendeu benefícios adicionais conhecidos como “penduricalhos” pagos a magistrados e membros do Ministério Público. A decisão estabelece que apenas verbas indenizatórias previstas em lei federal podem ser incluídas na remuneração, além de limitar adicionais e aumentar a transparência nos pagamentos.