O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está buscando mudanças para diminuir o custo do crédito rotativo do cartão, em resposta ao impacto do endividamento das famílias sobre sua popularidade. Nesta terça-feira, 24, ele conversou com sua equipe econômica sobre o assunto, que já havia sido discutido em uma reunião anterior com a cúpula do governo.
O diagnóstico aponta que o comprometimento da renda das famílias com dívidas tem gerado insatisfação com o governo, uma vez que cerca de 29% da renda mensal é destinada ao pagamento de compromissos financeiros. A inadimplência entre pessoas físicas, principalmente referente ao rotativo do cartão, é alarmante, com uma taxa de 63,5% registrada em janeiro.
Atualmente, as regras estabelecem que os juros e encargos do rotativo não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida, mas integrantes do governo avaliam que essa medida não é suficiente. Além disso, o Planalto está considerando alternativas para reduzir os juros do crédito consignado privado, que ainda é visto como caro.
Entre as propostas está a possibilidade de classificar como abusivas taxas acima de um determinado patamar médio e a regulamentação do uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço como garantia em operações, o que poderia contribuir para a redução dos custos do crédito. Executivos do setor financeiro acreditam que mudanças para redução de juros podem enfrentar pouca resistência no Congresso em ano eleitoral.