Caso do Banco Master revela semelhanças com escândalo da P2 na Itália

O escândalo do Banco Master, liderado por Daniel Vorcaro, lembra o caso da loja maçônica P2 na Itália, marcada por uma estrutura de poder oculta e corrupção.
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O caso do Banco Master, protagonizado por Daniel Vorcaro, remete ao escândalo da loja maçônica secreta Propaganda Due, ou P2, que abalou a Itália nos anos 1980. A P2, comandada por Licio Gelli, abrigava uma estrutura de poder oculta e paralela ao Estado italiano, envolvendo 962 integrantes, como políticos, magistrados e empresários.

Os nomes desses integrantes estavam em uma lista encontrada pela polícia na casa de Gelli, durante uma investigação relacionada ao banqueiro Michele Sindona, membro da P2 e ligado à máfia. Sindona, que morreu em circunstâncias controversas, prometia revelar segredos antes de sua morte, assim como outro banqueiro da P2, Roberto Calvi, que também faleceu de maneira suspeita.

A P2 possuía um plano de renascimento democrático, que visava transformar o Estado italiano em uma estrutura autoritária, além de controlar a imprensa e enfrentar o Partido Comunista Italiano. Esse escândalo resultou na queda do governo de Arnaldo Forlani, com diversos ministros na lista da P2.

No caso do Banco Master, Vorcaro não tinha plano político, mas se dedicou a roubar dinheiro de correntistas e aposentados por meio de uma pirâmide financeira, que causou perdas superiores a R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. A semelhança com a P2 reside no grau de corrupção e manipulação de poder.