A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) é considerada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) uma "integrante relevante" e articuladora de uma organização criminosa que desviou grandes quantias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação apurou que a parlamentar facilitava fraudes para realizar descontos não autorizados nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Nesta terça-feira (17), Gorete Pereira foi alvo de uma operação da PF que investiga um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno para a deputada, considerando seu papel na organização.
As investigações apontam que Gorete controlava entidades associativas de fachada e tinha procurações que lhe permitiam firmar Acordos de Cooperação Técnica com o INSS, facilitando a implementação de descontos ilícitos. Ela utilizou sua influência política para pressionar servidores e acelerar processos, mantendo contato com a alta cúpula do órgão.
Documentos apreendidos indicam que Gorete Pereira obteve ganhos milionários através das fraudes, com seu nome constando em uma planilha de pagamentos de propinas. Para ocultar os recursos, a deputada utilizava contas de empresas de fachada, incluindo uma registrada em nome de sua sobrinha. A operação revelou também que parte dos valores desviados foi usada na aquisição de um imóvel de luxo avaliado em mais de R$ 4,4 milhões.