A violência contra a mulher é um tema recorrente na música brasileira, onde o sofrimento feminino é frequentemente romantizado. As letras, em sua maioria, reforçam estereótipos que colocam a mulher como vilã ou objeto, enquanto o homem é retratado como vítima. Essa dinâmica perpetua a ideia de que as conquistas femininas devem vir acompanhadas de sofrimento.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) de 2022 indicam que 52% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, totalizando mais de 41 milhões de domicílios. Apesar disso, a mulher continua a ser vista como a responsável pelos problemas, enquanto os homens são muitas vezes retratados como coitados, vítimas de traições.
As letras de gêneros como breganejo e funknejo objetificam as mulheres, apresentando-as apenas como objetos de desejo. Frases que associam a bebedeira e a desgraça à figura feminina refletem uma cultura que normaliza a violência. Quando a violência é tratada como diversão, e os corpos femininos são vistos apenas como objetos, a linha entre amor e controle se torna indefinida.
Casos de feminicídio, que têm ganhado visibilidade com as redes sociais, mostram a gravidade dessa situação. O caso de Cristina Lopes Afonso, que sobreviveu a um ataque brutal por parte de seu namorado em 1986, exemplifica a luta contra a violência e a necessidade de mudança nas narrativas que cercam as mulheres em nossa sociedade.