A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação dos cinco acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. A solicitação foi feita durante julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PGR afirmou ter provas contundentes que confirmam a participação direta dos irmãos Brazão no crime. Segundo a acusação, os irmãos Brazão lideravam um grupo criminoso focado na ocupação ilegal e venda de terras, prática conhecida como grilagem. Marielle passou a ser vista como um risco aos negócios da quadrilha por realizar reuniões frequentes nas áreas dominadas pela milícia.
A PGR explicou que a vereadora não era o objetivo inicial do grupo criminoso. O alvo preferencial dos milicianos era o ex-deputado federal e atual presidente da Embratur, Marcelo Freixo. No entanto, a intensificação da presença de Marielle nas áreas de milícia e os constantes embates políticos com o PSOL fizeram com que os irmãos Brazão mudassem o foco.
A PGR detalhou como a atuação política da parlamentar contrariou os interesses financeiros e territoriais de uma organização criminosa na zona oeste do Rio de Janeiro. A procuradoria afirmou que Marielle atuava em duas frentes que prejudicavam os irmãos Brazão: no território, ela ameaçava os chamados “currais eleitorais” da família ao apresentar propostas de regularização fundiária que destruíam o modelo de lucro da milícia baseado na grilagem; na política, a vereadora impunha obstáculos legislativos, dificultando a aprovação de projetos de lei na Câmara Municipal que beneficiavam os interesses dos criminosos.