A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1, que consiste em um dia de descanso a cada seis dias trabalhados, está prevista para dominar os debates em Brasília no primeiro semestre de 2026. Este tema, que antes era uma queixa comum entre trabalhadores de setores como comércio e serviços, se transformou em um movimento político nacional, gerando preocupações no setor produtivo.
Atualmente, existem duas propostas de emenda à Constituição (PECs) na Câmara dos Deputados que buscam reformar a escala 6×1. O governo tem apoiado essa pauta, que já conta com adesão da esquerda e começa a atrair parlamentares do Centrão, que buscam se reeleger nas eleições de outubro. Para que uma PEC seja aprovada, é necessário o voto de dois terços de deputados e senadores em duas sessões em cada casa legislativa, o que representa um grande desafio.
Embora a proposta seja bem recebida pela classe trabalhadora, ela enfrenta resistência entre empresários, que temem o aumento dos custos e a queda na produtividade em um cenário já marcado pela escassez de mão de obra e falta de competitividade dos produtos brasileiros. A escala de trabalho 6×1 é uma das mais comuns no Brasil e está no centro de um debate sobre saúde mental, produtividade e direitos trabalhistas.
O movimento para acabar com a escala 6×1 ganhou força nas redes sociais, impulsionado pelo influenciador Rick Azevedo, que expressou sua insatisfação em um desabafo no TikTok. Os defensores da mudança argumentam que a jornada atual causa exaustão física e mental, dificultando o convívio familiar e momentos de lazer, o que impacta negativamente na produtividade. Para o governo, a melhoria na saúde mental dos trabalhadores poderia reduzir a pressão sobre o Sistema Único de Saúde e a Previdência Social.