Cientistas brasileiros desenvolvem método promissor para detectar câncer precocemente através da cera de ouvido

Uma pesquisa inovadora conduzida na Universidade Federal de Goiás (UFG), em colaboração com o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), demonstra o potencial da análise da cera de ouvido para a detecção precoce do câncer. O estudo, publicado na revista Scientific Reports, sugere que a composição química da cera auricular pode indicar alterações no organismo antes mesmo que tumores sejam detectáveis por exames convencionais.

A técnica, que envolve uma coleta simples, indolor e de baixo custo, pode se tornar uma ferramenta valiosa para o rastreamento populacional. Segundo Camilla Oliveira, médica otorrinolaringologista participante do projeto, a cera auricular atua como um “marcador biológico do estado de saúde geral”, fornecendo informações importantes sobre o corpo humano.

O método se baseia na identificação de variações nos compostos químicos presentes na cera, que se alteram em resposta a mudanças metabólicas e processos patológicos. Nelson Antoniosi Filho, coordenador da pesquisa e professor da UFG, compara a cera a “uma impressão digital da nossa condição de saúde”, cujo padrão se modifica em caso de inflamações ou processos cancerígenos.

Os resultados preliminares indicam que a técnica pode antecipar o diagnóstico de câncer, possibilitando intervenções terapêuticas mais precoces e potencialmente aumentando as chances de sucesso no tratamento. “Conseguimos identificar etapas anteriores ao desenvolvimento do câncer. Isso facilita muito o processo de tratamento e pode diminuir o sofrimento dos pacientes”, afirma Antoniosi.

O estudo analisou amostras de 751 voluntários, revelando que a análise da cera identificou corretamente casos de câncer confirmados por exames tradicionais, além de detectar alterações suspeitas em indivíduos sem diagnóstico prévio. Um caso notável foi o de um paciente curado de câncer de próstata que teve um novo tumor detectado precocemente através da análise da cera.

Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores enfatizam que o método ainda requer etapas de regulamentação, validação clínica e padronização antes de ser implementado como exame de rotina. A expectativa é que, uma vez aprovado, o exame possa revolucionar o diagnóstico oncológico no Brasil, especialmente em regiões com acesso limitado a recursos de saúde.

Fonte: http://www.conexaopolitica.com.br

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